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20/03/2007 10:18


Largo de São Pedro Frei Gonçalves - Varadouro. Foto: ©Guy Joseph

Terra de ninguém
Petrônio Souto*

Não é puxando brasa para a nossa sardinha, mas poucos lugares do mundo são tão belos quanto o Centro Histórico de João Pessoa, patrimônio que, em relação a muitos outros, leva uma grande vantagem: O sítio original da cidade, a nossa capital inicial, é uma área pequena, já legalmente delimitada, portanto “distrito” que possui limites e confrontações, como a Cidade do Vaticano dentro da Cidade de Roma.
Começo a admitir que João Pessoa abriga duas cidades: Havana e Miami, e o Mar do Caribe começa na Maximiano de Figueiredo. A Epitácio Pessoa e a Beira-Rio são as duas principais “pontes” que ligam nossas duas capitais. Na orla, nesses tempos globalizados, encontramos o modo de vida norte-americano, com seus novos-ricos, suas naturais extravagâncias e seus carrões turbinados. Já entre a Lagoa e o Rio Sanhauá, nos sentimos naturalmente em Havana Velha, até porque as duas cidades são do Século XVI.
Mas aí, quando fazemos a inevitável comparação, vem logo a pergunta: por que os cubanos valorizam tanto seu sítio histórico e se excedem nos esforços para conservar Havana Velha, apesar de todas as dificuldades que enfrentam, inclusive fenômenos naturais como os devastadores furacões? Bom, pobreza há –e muita—aqui e na terra de Omara Portuondo. Agora, o que não existe por lá e parece sobrar por aqui é a ignorância.
É preciso muita ignorância para não perceber que o nosso Centro Histórico é “ouro em pó”, e que, embora necessitados, estamos desperdiçando uma grande oportunidade de fazer receita, tão somente porque não cuidamos um pouco mais do nosso valioso patrimônio histórico e artístico, o que não ocorre na Isla Mayor do Caribe. Lá, muito ao contrário, respaldando o turismo, a conservação de Havana Velha garante os dólares e euros tão necessários ao próprio sustento do país.
É óbvio que o que aconteceu em João Pessoa aconteceu, até de forma mais grave, em todas as capitais brasileiras. A “inchação” criou vasta periferia, sem nenhuma infra-estrutura, mas densamente povoada, o que fez com que, em pouco tempo, como, aliás, era de se esperar, a multidão de deserdados, espremida na periferia, conquistasse poder político, capacidade para eleger e derrotar prefeitos, governadores, deputados, vereadores, senadores, sobretudo os mestres da demagogia.
Qual a conseqüência imediata disso? Como a certeza da (re) eleição estava na periferia, as tais autoridades competentes viraram as costas para o Centro Histórico, deixaram ao léu o núcleo original da cidade.
Não há dúvida de que, por ser infinitas vezes mais valioso, qualquer depredação que se transforme em fato consumado, aqui no Centro Histórico, exige uma restauração mais dispendiosa, mais vagarosa, mais complicada, o que não acontece com as agressões em áreas recentes, onde o conserto é sempre mais fácil, mais rápido, menos oneroso.
Assim, o Centro Histórico, coitado, foi se deteriorando rapidamente, desmoronando, virando entulho. Esvaziado, sem voz e sem voto, sem poder político para nada, o Centro foi sendo passado para trás, foi ficando para depois, durante sucessivas administrações, ao longo de várias décadas.
Estamos carecas de saber que o Centro Histórico da Capital precisa ser restaurado, revitalizado, mas, enquanto dona revitalização não vem, é preciso maior vigilância, maior fiscalização por parte dos vários organismos oficiais responsáveis pela sua proteção. O governo, todos os governos (a responsabilidade não é exclusiva da Prefeitura), devem estar bem mais atentos, devem se mostrar bem mais interessados e eficientes na tarefa de conservar o que ainda resta da nossa capital inicial. Precisamos evitar maiores estragos ao nosso valioso patrimônio. A coisa está excessivamente frouxa, virando perigosamente terra de ninguém. Basta viver o cotidiano do centro da cidade para testemunhar os desmandos.
São invasões de terrenos e prédios públicos; obras clandestinas executadas a portas fechadas e fora do horário normal --à noite, de madrugada, em dias não úteis, visivelmente para escapar de qualquer tipo de fiscalização e criar o famoso fato consumado; imóveis mantendo apenas resquícios da antiga fachada para encobrir estacionamentos privados; edificações importantes que são abandonadas até o completo desmoronamento por herdeiros de antigos donos, muitos já falecidos ou residindo em outros estados; “gatos” e ligações de esgotos na rede pluvial; colocação de telhas de amianto ou alumínio, destruindo belas coberturas, além das péssimas condições sanitárias e de segurança, entre outros problemas que se multiplicam com a certeza da impunidade e crescem no vácuo da omissão e da incompetência dos poderes públicos.
O prefeito Ricardo Coutinho produziu avanços significativos. A liberação das calçadas foi uma contribuição inestimável. A restauração de alguns casarões da João Suassuna para transformá-los em condomínios populares é outra jogada de mestre do jovem prefeito. Mas a grande verdade é que a depreciação acelerada precisa ser contida, mais depressa do que rapidamente, senão, quando surgirem recursos, quando aparecerem os meios necessários para um trabalho conseqüente, abrangente, de revitalização, simplesmente não haverá mais Centro Histórico. A cidade toda terá virado uma imensa periferia. Aí, como herdeiros perdulários, teremos dado fim à “botija” deixada pelos nossos antepassados.

*Petrônio Souto é jornalista e colaborador do Via Parahyba


enviada por Guy



18/03/2007 21:13



Fonte dos Milagres, de Santo Antônio e Tambiá. Foto: ©Guy Joseph

A Bica dos Milagres
Petrônio Souto*

Não tem erro: Final da Ladeira São Francisco, entrando à esquerda: Rua Augusto Simões (antigo Beco dos Milagres), nº 59. No muro da casa está incrustada uma relíquia da cidade: A Bica dos Milagres.
Talvez os atuais proprietários nem saibam o que têm nas mãos. Era da Bica dos Milagres, “no sopé da colina onde se erguia a cidade de Nossa Senhora das Neves”, que os colonizadores retiravam “água doce” para beber. Mas o que resta de um dos patrimônios históricos e artísticos mais valiosos da Paraíba é quase nada: uma espécie de moldura em pedra calcária com formato que denuncia sua origem e uma data –1849, ano da última restauração.
Segundo o historiador Wellington Aguiar, além das cacimbas, quatro bicas ou fontes garantiam o abastecimento d´água da cidade: Gravatá e Milagres; Santo Antônio e Tambiá.
A Bica de Gravatá, de uma beleza extraordinária, atualmente não passa de uma fotografia ilustrando o livro “Roteiro Sentimental de Uma Cidade”, de Walfredo Rodriguez. Ninguém informa sua localização exata. A triste realidade é que ela foi destruída e está soterrada em algum ponto do Varadouro.
Na Bica dos Milagres, a água jorrou até o final dos anos 70, começo dos anos 80, quando foi quase que totalmente destruída a golpes de marreta e emparedada, pelo menos é o que afirmam antigos moradores do lugar. Muito recentemente, o muro foi pintado, o que dificulta mais ainda a observação dos vestígios. De quebra, os proprietários de oficinas mecânicas que se instalaram em um terreno baldio, ao lado, colocaram o WC, sem ligação para a rede de esgotos, quase que colado à fonte, atitude que bem demonstra a ignorância dos donos das oficinas e o descaso das autoridades.
Esta Bica ganhou notoriedade por ter sido palco do famoso “Crime do Frade”. Conforme relato de Wellington Aguiar, “junto à fonte, o Frei José de Jesus Cristo Maria Lopes, ajudado por dois comparsas, matou por empalação sua amante Tereza, dominado pelo ciúme. O bárbaro crime ocorreu na madrugada de 31 de julho de 1801 e estarreceu a pequena Capital. Frei José de Jesus Cristo era franciscano e morava no Convento de Santo Antônio. Ele costumava banhar-se com Tereza, alta noite, na Bica dos Milagres”.
Já a Fonte de Santo Antônio, no sítio do Convento de Santo Antônio, foi restaurada há alguns anos, apesar de a boca do golfinho, de onde jorra a água cristalina, encontrar-se seriamente danificada, exigindo urgentes providências do IPHAN.
Finalmente a Fonte de Tambiá, a que poderia estar mais protegida por pertencer ao Parque Arruda Câmara, apresenta-se também com sérios problemas de conservação.
É revoltante o desapreço pelas coisas da nossa memória. Outro dia, conversando com pessoas que se diziam interessadas na revitalização do Centro Histórico, fiquei chocado: Ninguém ouvira falar na Bica dos Milagres, muito menos nas Fontes de Gravatá, e todos me olhavam como se estivessem diante de um lunático.
A restauração da Bica dos Milagres, a primeira fonte que deu de beber a esta cidade, não seria uma despesa fora do comum, impossível de ser custeada pelo Poder Público. Com a mais absoluta certeza, creio que se gastaria muito menos do que se gastou, faz pouco tempo, com a divulgação do último racionamento d´água em nossa Capital.
Como se fala muito em ações para fortalecer o turismo, a restauração da Bica dos Milagres e da Fonte de Tambiá, as mais danificadas, poderia contribuir para o surgimento de um produto turístico da melhor qualidade: O Caminho das Águas, aliás, idéia do padre Ernando Teixeira de Carvalho, ex-diretor do Centro Cultural São Francisco. É que, percorrendo a Gouveia da Nóbrega, no Róger, o turista visitaria as três fontes, que se localizam praticamente no começo, no meio e no fim da avenida. Uma grande justificativa econômica para um investimento irrisório.
O problema, o maior problema, é que a ignorância e a insensibilidade dos nossos homens públicos e da própria população estão transformando em ruínas o Centro Histórico da terceira cidade mais antiga do Brasil.

*Petrônio Souto é jornalista


enviada por Guy



12/03/2007 08:10



CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA*

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.
Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.
Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.
Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.
Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:
"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"
Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!
É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.
SOMOS UM POVO DA FLORESTA!
*Transcrito do site: Amazônia Para Sempre
Se você também deseja uma 'Amazônia para Sempre', subscreva nosso manifesto. Ao obter o número de assinaturas necessário, ele será encaminhado ao Presidente da República para que sejam tomadas as providências necessárias para resolver este que é um sério problema brasileiro e mundial: A devastação da Amazônia. Sua participação é muito importante!
Acesse o site e assine o manifesto, já que o desmatamento da Amazônia ( como de toadas as florestas), é responsabilidade de todos nós. Grato. Guy Joseph
Amazônia Para Sempre http://www.amazoniaparasempre.com.br


enviada por Guy



11/03/2007 09:12


Do Dezoito Andares, a vista panorâmica do Sanhauá. Foto: ©Guy Joseph

O DEZOITO ANDARES
Petrônio Souto*

Ninguém saberá responder aonde fica o Edifício Presidente João Pessoa. Nem mesmo o mais antigo morador da Cidade. Mas o Dezoito Andares... A grande verdade é que todo mundo concorda num ponto: É o prédio mais charmoso da cidade ou “o condomínio mais antigo da capital”, como, orgulhosamente, faz questão de colocar no papel timbrado o síndico Paulo Sérgio, cidadão que aqui chegou ainda adolescente. Outra unanimidade: É uma das coberturas mais deslumbrantes do litoral, com uma visão de 360º que deixa de queixo caído até os que já conheceram a Torre Eiffel.
Os historiadores dirão que é um endereço nobre: Rua Nova, atual General Osório, esquina com a Ladeira dos Pedroza, que também já foi Ladeira da Carioca, até se juntar ao Beco da Misericórdia para receber a nova denominação: Peregrino de Carvalho.
Acho que foi exatamente este ponto da Capital que encantou o carioca Ulisses Burlamaqui, um dos integrantes do movimento da moderna arquitetura, quando, contratado pelo Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários-IAPB, em 1957, sobrevoou a cidade para definir o local da “primeira experiência de habitação multifamiliar em altura da cidade de João Pessoa”.
Gostaria de ter conhecido o Dr. Burlamaqui, não pelo fato de alguns dizerem que ele era um “típico playboy carioca dos anos dourados; homem bonito, culto, extremamente elegante”. Gostaria de estar ao lado dele, no teco-teco fretado ao Aeroclube, para ver o que ele sentiu no momento da escolha deste lugar.
Quem mora no Dezoito Andares logo fica convencido do seguinte: O arquiteto construiu camarotes para que as pessoas, ocupando ambientes confortáveis e ventilados, pudessem contemplar tranquilamente uma bela paisagem. Paisagem que, como um caleidoscópio, nunca cansa, nunca cai em monotonia, porque muda de acordo com as variações do tempo e da luz. Já na entrada do apartamento, ele colocou uma parede fora de esquadro, para que, ao abrir a porta, o visitante possa sentir o forte impacto do visual extraordinário.
Dr. Ulisses Burlamaqui foi mais fundo na sua viagem: Empilhou 48 apartamentos, vazados na frente e nos fundos (o vazamento é total na frente), solução que traz para dentro dos imóveis a paisagem exterior, formando imensos painéis, o que deixa os moradores com a sensação de que vivem pisando nas nuvens. Avançou mais em seu sonho: Fez as varandas com as mesmas dimensões, quase 20 metros quadrados, independentemente do tamanho do apartamento. A paisagem foi, digamos, democratizada, até para que todos pudessem curtir igualmente o pôr-do-sol e a lua cheia.
Não jogou a dependência de empregada em uma sobra de espaço qualquer. Traçou cuidadosamente os aposentos da empregada, que são amplos, agradáveis, com total e absoluta privacidade. Há outras “bossas” no prédio, como escadarias largas, com pouquíssima inclinação e degraus espaçosos, onde as pessoas podem subir e descer, conversando ou conduzindo volumes, tranquilamente. A área de lazer é um enorme tapete entre a plataforma e o setor residencial. O elevador serve simultaneamente a dois pavimentos, reduzindo o consumo de energia, o desgaste do próprio equipamento e fazendo com que as pessoas, mesmo as mais velhas, possam se exercitar sem grande esforço físico. No entanto, uma dessas “bossas” foi para mim amor à primeira vista: O longo corredor entre os elevadores dos dois blocos recebe uma luminosidade natural que o transforma no “túnel do tempo” do Congresso. Fantástico!
O que permanece uma incógnita é o destino da garagem, mistério que até hoje não foi desvendado. Sabe-se apenas que existe ampla área ociosa, dando para a Praça Aristides Lobo, sobre a qual o condomínio não tem mais nenhuma ingerência e, tanto o Patrimônio da União como a Prefeitura, ainda não chegaram a um acordo sobre a sua utilização. Comenta-se que nela pode vir a ser instalada mais uma Farmácia Popular. Enquanto nada é resolvido, a “terra de ninguém” serve de pousada para vagabundos e moradores de rua, causando transtornos de toda espécie à comunidade aqui residente.
Torci o nariz quando me ofereceram um apartamento neste prédio de tantas histórias, alegres e trágicas, como tudo na vida. Enfrentei o samba de uma nota só dos agentes do mercado imobiliário: “Seu” Petrônio vá para a orla. O centro acabou-se, virou um lixão.” Acontece que vim conhecer a nova morada ao pôr-do-sol. Não resisti. A amiga Vitória Lima não exagerou ao afirmar que eu não comprei um apartamento, mas uma paisagem.
Sem exagero, posso dizer que sonho acordado. Deitado em minha cama vejo o Sanhauá – rio triste, que parece estar sempre indo à procura de alguém distante... O contraponto é feito pelas garças. Numerosas, se exibem cheias de juventude, como as meninas do Colégio das Neves. Vagueiam em bandos ou solitárias. São lençóis brancos, esvoaçantes, sobre o casario e o manguezal. Às vezes penso que são anjos enviados por Deus para limpar, todos os dias, a sujeira do esquecido Varadouro, numa espécie de protesto pacífico contra a omissão dos homens.
Menino da Rua da República, Rua da Areia e do velho Roggers, com alguns quilômetros rodados nesses quase 60 anos de vida, penso que escolhi o lugar certo para “amarrar o burro na sombra”. Aqui, me refugio nas minhas doces lembranças e me sinto protegido pelos meus mortos, figuras que tinham a maior intimidade com essas ruas, becos e ladeiras.

*Petrônio Souto é jornalista


enviada por Guy



04/08/2006 12:08

A TERCEIRA BANDEIRA DA PARAÍBA
Por Edival Toscano Varandas*


Terceira bandeira da Paraíba – século XIX

A bandeira da Paraíba de 1817

Em 1817, a província da Paraíba estava sendo governada por um triunvirato que substituiu o governador Antônio Caetano Pinto, que havia falecido.
Quando chegou à Paraíba a notícia da Revolução, a 7 de março de 1817, trazida por portugueses foragidos e apavorados com o grito de “mata marinheiros”, o governo provisório de então, composto pelos senhores Francisco José da Silveira, Ignácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão, Francisco Xavier Monteiro da Franca e o Padre Antônio Pereira de Albuquerque e Melo, resolveram, em 1º de abril de 1817, criar a bandeira paraibana. Era idêntica à bandeira de Pernambuco, menos o listão azul e com a adoção de mais duas estrelas, que representavam os estados da Paraíba, Pernambuco e do Rio Grande do Norte.

FONTE: Texto baseado em: RAMOS, Adauto. A bandeira paraibana de 1817. João Pessoa, 2004.
DESENHO: Edival Toscano Varandas.
* Doutor pela UPE. Pesquisador em História da Paraíba.

enviada por Guy



15/07/2006 11:25


Trabalhadores no Engenho da Aguardente de Cana Rainha

TERRA DA GENTE PARAÍBA

Terra da Gente Paraíba é o título do meu livro de fotografias, lançado no mês de agosto de 2006. Contendo 136 páginas, no formato 23X30cm, capa dura, impressão off-set sobre papel couchê fosco e cerca de 212 fotos em policromia, o livro é o resultado da Expedição Terra da Gente Paraíba que, em quase três anos de viagens, percorreu o Estado da Paraíba, fotografando as peculiaridades da terra, da gente e da cultura paraibana. As imagens falam por si e por se tratar de um livro/álbum de fotografias, foram dispensados textos explicativos, existindo apenas as legendas que identificam e localizam os assuntos fotografados. Na introdução e apresentando o livro, depoimentos dos jornalistas, Petrônio Souto, Carlos Cordeiro de Mello, José Nêumanne Pinto, Evandro da Nóbrega, Juca Pontes e do fotógrafo João Lobo Maia. O projeto da Expedição Terra da Gente Paraíba, teve um início informal em 2003, percorrendo cidades próximas, utilizando meios e recursos próprios. Em 2005 o projeto foi aprovado pelo FIC-Fundo de Incentivo à Cultura, da Lei Augusto dos Anjos, do Governo do Estado da Paraíba, cujo patrocínio, proporcionou a continuidade da expedição e, a publicação do livro.
O livro Terra da Gente Paraíba tem distribuição convencional nas livrarias ou através do site: http://www.terraparaiba.com Pedidos também podem ser feitos, diretamente com o autor, utilisando o e-mal: guyjoseph@terraparaiba.com
Pontos de venda do livro Terra da Gente Paraíba: Livraria Siciliano do Manaíra Shopping - O Sebo Cultural - Parahyba Café - Lojinha do Museu da Energia na Usina Cultural Saelpa - Câmera Shop do Retão de Manaíra - Livraria Prefácio do Shopping Center Tambiá -Livraria Prefácio do Mag Shopping - Livraria Zarinha - Casa dos Fotógrafos do Carrefour - Banca de Revistas do Manaíra Shopping e Loja de Artesanato da Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo.

Visite o site: Terra da Gente Paraíba http://www.terraparaiba.com

Veja o blog: Terra da Gente Paraíba http://www.terradagenteparaiba.blogger.com.br



enviada por Guy



13/07/2006 07:56


Foto: ©Guy Joseph/06

VOU DE FUSCA
Petrônio Souto*

Do outro lado da linha a moça tenta me convencer de que devo comprar um carro do ano. Oferece mil e uma facilidades, condições que até Deus duvida. Chega ao exagero de dizer, sem jamais ter me visto sequer em sonhos, que “um cidadão como o senhor não pode deixar de andar num carro do ano”.
Ora, o que levou a gentil senhora a dizer uma coisa dessas? É certo que de posse da lista telefônica, aleatoriamente, ela deve ter ligado para minha residência, mas dizer assim de maneira tão enfática que “um cidadão como o senhor não pode deixar de andar num carro do ano”...
Bom, um fanfarrão qualquer adoraria que mesmo virtualmente uma voz feminina dissesse um disparate desses, mas para quem não tem a paranóia do carro do ano na garagem nem quer bancar pose... Sei não, acho que o pessoal do marketing está exagerando.
Na nossa sociedade, o estímulo para se gastar dinheiro é simplesmente diabólico, mas os meios para obtenção do dinheiro são limitadíssimos. Chega a ser um problema de saúde pública a pressão para que gastemos nosso dinheirinho que mal dá para as necessidades básicas.
Usam tudo aquilo que venha a empurrar o infeliz para o consumo de algum bem ou serviço, mas estão pouco se lixando para uma questão essencial: A real necessidade da despesa. O que importa é vender, vender e vender.
Por outro lado, num país em que o salário mínimo é de 350 reais anunciar um carro popular por algo em torno de 25 mil é no mínimo uma piada de mau gosto. Criam expectativas inalcançáveis nas pessoas, depois se queixam do aumento da violência...
Não quero um carro do ano, adoro meu Fusca 79. Com todo respeito aos consultores de venda, acho um insulto uma desconhecida afirmar, embora com voz de seda, que eu preciso de um carro do ano, sem que jamais tenha havido entre nós um protocolar aperto de mãos.
E vou mais além: Detesto Fórmula I, Fórmula Indy, ronco de motores, cheiro de gasolina, etc. Não considero esporte uma coisa que não passa de um laboratório da indústria automobilística. Daquele frege saem máquinas que serão estrelas nos salões do automóvel, encantando idiotas de todas as raças.
Tudo no Fusca se resolve com um pedaço de arame, um alicate e uma chave de fenda. É um carro tão popular que saiu de linha. Tem mais: O que um milionário faz com um carro possante, importado, último lançamento, eu posso fazer também com o Fusquinha. Só vou chegar um pouquinho mais atrasado. Mas, como não quero fazer uma hora em menos de uma hora, tudo bem.
O Fusca é gostoso porque ao ligar a chave, já nos primeiros metros da viagem, você se sente aboletado no vagão de uma maria-fumaça ou deslizando em um bonde elétrico pelas ruas da cidade. Você vive todo dia a fantasia de ser um privilegiado.
Tudo a sua volta é pressa, tumulto, ruído, movimentos bruscos, nervosismo, sofrimento. No Fusca, não, a gente vai tranqüilo e calmo, feliz da vida em 78 rotações. Não fossem os xingamentos dos apressadinhos alados...
Não sei o que seria de mim sem meu Fusquinha. Ah, meu Deus, não estou blasfemando, mas penso que o tal Dia de Juízo será aquele em que eu não encontrar mais peças no comércio. Aí deixarei o bichinho tomando conta da garagem e vou andar a pé. Posso até comprar um sapato novo todo ano; um carro, jamais.
Pelo andar da carruagem, melhor dizendo, pelo rasante das máquinas voadoras, meu Fusquinha tem um quê de trincheira de luta. Sem abrir mão dele, pratico a resistência pacífica de Gandhi e digo não às exigências da nossa tresloucada (des) ordem política, social e econômica. Haja o que houver, vou de Fusca. Só espero que não passem por cima de mim.

*Petrônio Souto é jornalista

enviada por Guy



07/07/2006 19:36


Tudo começa na pelada. Foto: ©Guy Joseph

JÁ CHOREI POR FUTEBOL
Petrônio Souto

Nasci em João Pessoa, mas abri os olhos em Alagoa Grande, onde meus pais trabalhavam. Tomei gosto pelo futebol vendo o Tabajaras de Alagoa Grande jogar, ainda nos anos 50. O campo do Tabajaras ficava por trás do Colégio de Padre Hildon, na parte alta da cidade, mas a lagoa completamente seca foi o palco do primeiro jogo de futebol que assisti. O Tabajaras era o bicho-papão do Brejo, tão bom quanto o América de Esperança, o Confiança de Sapé ou o Vila Nova de Itabaiana.
Quando a família veio definitivamente para a Capital, em 1956, virei torcedor do Auto Esporte. É que “Seu” Salviano, senhor alto como um jogador de basquete, construtor, amigo de papai, que também morava no Roggers, era, se não estou enganado, um dos colaboradores do “clube dos motoristas”, e o velho me deixava ir com ele para o Estádio Olímpico ou para o Campo da Graça, a fim de assistir aos jogos do Auto.
Esta era a escalação dos anos dourados do Auto Esporte Clube: Agostinho, Ní e Kleber; Marajó, Américo e Negrinho. Na frente, me lembro de Macau, na ponta direita, e Piau, na ponta esquerda. Acho que Delgado era o centro-avante do Auto. Esse cara, esguio e narigudo, elegante como um bailarino, jogava como um Zidane. Foi vendido para um grande clube do futebol paulista, mesmo caminho de Bola Sete e Pedro Neguinho, a dupla Pelé-Coutinho da Paraíba.
Sabia também os nomes dos meias do Auto Esporte. Um deles era China, sujeito sereno, caladão, só falava -e muito bem- com os pés. O outro meia... Chicletes (o velho)? Romero? Meu Deus, a memória já não responde! Sabia de cor e salteado a escalação do Auto, em várias fases do time. O problema é que a memória começa a pifar e a gente não tem mais a quem recorrer.
Esse é o drama do envelhecimento: Não ter a quem recorrer para reavivar a memória. Não se pode mais trocar impressões com parentes e amigos sobre as coisas da vida. Os contemporâneos vão desaparecendo e a gente vai ficando feito um ET no meio da multidão. Estaria aí a explicação para o silêncio e o olhar perdido dos velhos.
A Paraíba é um celeiro de extraordinários jogadores de futebol, muitos com passagem por grandes equipes do Brasil e do exterior e até pela Seleção Brasileira. Mas são escassos os registros da história do nosso futebol. Há apenas um livro do velho Normando Filgueiras, se não me falha a memória. Recentemente, um rapaz de Campina Grande andou lançando algo sobre o tema. Não sei se o trabalho dele se restringe ao futebol paraibano.
Bem que o cronista Marcus Aurélio, meu colega de faculdade, um dos maiores nomes do rádio esportivo paraibano, poderia escrever alguma coisa. Ele tem muito a dizer. Suponho que Marcus esteja esbanjando saúde. Outro dia tive um encontro casual com ele e sua esposa, no centro da cidade.
Tanto Marcus Aurélio, que, aliás, é irmão do saudoso Marconi Altamirando, quanto Ivan Bezerra e Geraldo Cavalcanti precisam deixar algo escrito. Eles são a memória viva do futebol paraibano. Martins Neto e Ernani Norat já se foram, infelizmente.
Marcus Aurélio era o homem do “Arquivo de Recordações”, histórias do nosso futebol que eram contadas em narrativas emocionantes, com trilha sonora de novela, nas tardes esportivas da Rádio Tabajara. Basta Marcus Aurélio abrir o baú para sair um grande livro.
Como todo adolescente do começo dos anos 60, torcia pelo Botafogo carioca e pelo Santos de São Paulo. As seleções campeãs do mundo de 58 e 62 foram praticamente a fusão desses dois times. Lá atrás, o Botafogo tinha o paredão Manga, fechando a trave; Nilton Santos, a enciclopédia do futebol, e o vigoroso Rildo.
Na frente, a linha que nunca vou esquecer: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. Garrincha, meu eterno ídolo. Ninguém (nem Pelé!) pode ser comparado a Garrincha. Mané era um ser único, jogador realmente fora de série. Nunca, jamais, em tempo algum aparecerá alguém como ele.
Já no Santos, além do goleiro Gilmar, do zagueiro central Mauro, que levantou a taça de 62, no Chile, e do meia Zito, a famosa linha do time de Vila Belmiro infernizava a vida dos adversários: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Quando Botafogo e Santos se enfrentavam eu rezava para que desse empate.
Fui tão apaixonado por futebol que chorava todas as vezes que o Botafogo de Garrincha, o Santos de Pelé ou Auto Esporte de Marajó perdiam o jogo. Quem foi moleque comigo, no Roggers, pode confirmar minha fraqueza. É bem verdade que o pessoal tirava meu couro nas derrotas, me levando ao desespero.
“Mas o tempo foi passando, as visões se clareando”. Outro dia, disse ao amigo Rubens Nóbrega que não gastava mais minhas emoções com futebol. Disse isso, confesso, da boca pra fora, com o coração partido. Sou louco por futebol, mas despluguei totalmente porque não tenho vocação pra babaca.
Com o tempo pude perceber que os bastidores do futebol, aqui no Brasil, dão de dez a zero em uma fossa. Se o torcedor conhecesse um pouquinho do lamaçal em que opera a cartolagem, jamais teria qualquer envolvimento emocional com o futebol.
Ah, o Brasil perdeu?! O Brasil já vem perdendo seu futebol faz muito tempo.
Os irmãos Chicletes - Dedico estas mal traçadas linhas a duas maravilhas paraibanas do futebol brasileiro: José e Everaldo Morais, nascidos em Esperança. José, o mais velho, de uma geração mais antiga, já não está conosco. Everaldo continua vivo e mora em Fortaleza. Os torcedores da Paraíba deram o mesmo apelido aos dois irmãos: Chicletes. Em São Paulo e no exterior, ambos eram chamados pelo mesmo sobrenome: Morais. A genialidade com a bola nos pés era a marca registrada da dupla.

enviada por Guy



04/07/2006 00:09

A SEGUNDA BANDEIRA DA PARAÍBA

Por Edival Toscano Varandas*


Segunda Bandeira da Paraíba - Século XIX


Galhardete (bandeira de sinal)


A Bandeira Azul e Branca

A “Bandeira Azul e Branca” era a mesma que era usada durante o século XIX, como galhardete de inscrição de navio mercante para a Paraíba, quando o Estado ainda era província imperial.
No século XIX, alguns estados brasileiros tiveram bandeiras marítimas, inclusive a Paraíba. O álbum da Marinha francesa “Pavillons”, de 1958, mostrava galhardetes de navios mercantes brasileiros para indicar a província de origem. Esses galhardetes tinham a forma retangular, aproximadamente 1:16 e eram confeccionados de simples padrões geométricos representando bandeiras de sinal.
A bandeira da Paraíba nos anos de 1800 era bicolor vertical nas cores branca e azul celeste, na qual era inserida em um mastro de mezena, mostrando-se esvoaçante. Isto porque era muito difícil até para marinheiros mais experientes, distinguir um lugre-escuna de quatro, cinco ou seis mastros, de outro velame dos grandes navios da época – o lugre-patacho – uma vez que a diferença entre ambos era a vela no mastro do traquete e o número de vergas. De fato, o lugre-patacho envergava velas redondas a toda a altura do mastro, enquanto que o lugre-escuna só enverga pano redondo acima do latino. Dos navios de três mastros, este precede o lugre-patacho, por ter velas redondas no traquete e maior, e velas latinas no da mezena, que, em geral, era mais baixo.
As estampas de sabonete Eucalol, nº 2, da série 132, dos anos 30, incluíam, na versão impressa para o estado da “Parahyba”, duas bandeiras: a primeira, a bandeira azul e branca; e a segunda, a atual bandeira (a do NÉGO). Ambas as bandeiras possuíam, em sua ilustração, uma figura humana na parte superior, nas quais se inseriam em um mastro de mezena.

FONTE: Texto baseado em: ESTAMPAS Eucalol nº 2, série 132.
DESENHO: Edival Toscano Varandas.
* Doutor pela UPE. Pesquisador em História da Paraíba.

enviada por Guy



02/07/2006 22:52


Primeira bandeira da Paraíba - Século XVIII

A PRIMEIRA BANDEIRA DA PARAÍBA
por Edival Toscano Varandas*

Cento e setenta e quatro anos após as origens da Povoação de Nossa Senhora das Neves, a Paraíba teve sua primeira bandeira. Após a morte de D. João V, e, conseqüentemente, o afastamento do grupo
de Frei Gaspar da Encarnação, D. José I, filho de Dona Maria Ana, foi aclamado Rei de Portugal, em 7 de setembro de 1750. Entre os novos governantes escolhidos por D. José I, encontrava-se Sebastião José de Carvalho e Melo, nascido na aldeia de Soure, perto de Pombal e Coimbra. Homem de elevada estatura, de temperamento forte, porém de fino trato, Sebastião José foi nomeado para o cargo de Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e de Guerra. E foi como Ministro do Rei D. José I, que Sebastião José iniciou uma guerra implacável contra as missões jesuíticas em Portugal e suas colônias.
Por outro lado, político enérgico e tenaz, soube aproveitar as oportunidades para a consecução dos seus objetivos, norteados pelo modelo de um absolutismo que aplicou dentro de uma base ideológica galicana - diz-se da Igreja francesa, de seu ritual e suas leis.
Decorridos nove anos de sua atuação como Ministro, Sebastião José conseguiu que D. José I lhe outorgasse o título de Conde de Oeiras, em 15 de julho de 1759.
No que se refere ao Brasil, o Conde de Oeiras (que viria a ser Marquês de Pombal em 16 de setembro de 1769) pretendeu melhorar a
situação econômica, criando a Companhia de Comércio de Pernambuco e da Paraíba, e a Companhia de Comércio do Monopólio.
Todavia, a crise econômica na Paraíba, imposta por esta política de monopólio de exportação e importação, foi tamanha que a Paraíba perdeu o status de Capitania e viu-se incorporada à Capitania de Pernambuco, até 8 de maio de 1780, graças à política administrativa do Conde.
Com a criação da Companhia de Comércio de Pernambuco e da Paraíba, em 1759, a Paraíba ganhou sua primeira bandeira: a flâmula tinha fundo branco contendo a figura de um frade dentro de uma estrela amarela e um dístico com os seguintes dizeres: UT LUCEAT OMNIBUS (QUE A LUZ ILUMINE A TODOS). O frade era a representação de Frei Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro da Marinha Mercante, cujo nome está ligado aos descobrimentos dos navegadores portugueses. Quando as tempestades acossavam as embarcações que demandavam a Índia ou o Brasil, temerosos, os marinheiros gritavam: “São Telmo! São Telmo!”. Chama-se, por isso, “Fogo de São Telmo” a lanterna de luz azulada que é acesa no topo do mastro-mor dos navios, quando está prestes a desencadear-se uma tormenta.

FONTE: Texto baseado em: ODILON, Marcus. O livro proibido de Padre Malagrida. João Pessoa: Unigraf, 1996;
ASSOCIAÇÃO Nacional de Cruzeiros. Lisboa. Portugal. Disponível em:
http:// ancnebnavais.html www.ancruzeiros.pt. Acessado em: 14 de maio 2005 ; MARQUÊS DE POMBAL.
Disponível em: http://cronologia. ribatejo.com Acessado em: 22 maio 2005.
Desenho: Edival Toscano Varandas.

* Doutor pela UPE. Pesquisador em História da Paraíba


enviada por Guy



01/07/2006 16:51


Grupo de Dança Popular - Côco e Ciranda do Mestre Benedito-Cabedelo

Noite de São Pedro
Petrônio Souto*

De besta só fui ao último dia, assim mesmo por insistência de amigos e da filha Petra, sempre muito empolgada com a cultura popular. Até hoje estou arrependido. Poderia ter curtido mais o São João de João Pessoa, no Centro Histórico, mas pelo menos tive uma noite de São Pedro inesquecível.

A programação foi um doce-de-coco. Pela amostra do encerramento pude entrar no clima da festa: O Coco de Roda de Mestre Benedito trouxe para os refletores do Largo de São Pedro Gonçalves algo tão grandioso quanto a Velha Guarda da Portela ou, sem exagero, os “garotos” do saudoso Buena Vista Social Club. São artistas do povo, condenados a viver na escuridão, no abandono, segregados por uma elite que não sabe o que possui, que não conhece nem valoriza sua própria terra.

Na Praça Anthenor Navarro, o impagável Biliu de Campina e seus músicos maravilhosos empolgaram tanto que a multidão não deu a menor bola pra chuva fina. Biliu, homem-show incomparável, ainda terá o reconhecimento que merece. Na turma do gargarejo, fiquei literalmente nas nuvens, vendo ao meu lado tanta gente de velhos carnavais, gente formidável, afetos de uma vida inteira.

Mas também tinha gente, gente de cara e dente nariz pra frente. Gente que a gente encontra todos os dias nas calçadas da vida, batalhando o leite das crianças e que volta e meia precisa de uma merecida pausa para recarregar as baterias.

Fechando a noite, Nando Cordel, figura simpática, compositor de grandes sucessos, que transformou a praça em um imenso coral. Por falar em praça, como tinha gente no Centro Histórico! Gente de todas as idades, famílias inteiras, algumas com suas crianças de braço. Até o quem-me-quer da Festa das Neves foi espontaneamente ressuscitado. E tudo na maior tranqüilidade, na maior harmonia.

A Prefeitura colocou “portarias” nos acessos, onde as pessoas eram educadamente revistadas. Foi montado um esquema de segurança discreto, mas eficiente, estrategicamente distribuído. A segurança da Prefeitura, como o bom árbitro de futebol, trabalhou consciente de que não poderia ser a estrela do espetáculo. A polícia estadual também marcou presença.

De quebra, havia iluminação nas redondezas. A gente podia estacionar o carro sem medo de voltar e não encontrar nada. Mais uma grata surpresa: O Varadouro estava iluminado! Resultado: Nenhuma ocorrência policial durante toda festa.

Lendo o folder com a programação, pude observar que a Prefeitura abandonou de vez as soluções super-mega-hiper e fez uma festa de São João apenas normal: Muito organizada, muito animada, muito tranqüila. De palco e platéia excelentes. O clima aconchegante das antigas festas do interior (o saudosismo é inevitável: os super-mega-hiper já contaminaram também as cidadezinhas do interior) possibilitou a volta às origens. Me imaginei numa quermesse organizada por Padre Epaminondas, em Alagoa Grande, lá pelos anos 50.

É de se supor que existe um esquema empresarial se apropriando (esse é o termo) dos festejos eminentemente populares. Alucinada por grandes lucros, essa organização interfere de maneira bastante danosa na vida simples das nossas comunidades, destruindo, criminosa e violentamente, a forma ingênua com que as pessoas manifestam sua alegria coletiva. São predadores cujo malefício ainda não foi devidamente dimensionado.

Dá para desconfiar que as “máfias” do sertanejo, pagode, axé e forró de plástico, sobretudo, aqui no nordeste, esses dois últimos gêneros musicais (???!!!), têm seus tentáculos em todos os Estados. Hoje possuem até redes de rádio e televisão. O jabá artesanal do passado agora é a massificação cruel e avassaladora. O poder total é deles. A programação musical é exclusivamente deles.

Assim, com a omissão do Poder Público, essa gente sem rosto deita e rola, faz há décadas a onipresente trilha sonora do nosso cotidiano. Trilha que está nas emissoras de rádio e tv, na festa popular, na casa de shows, nos coletivos, na barraca de sanduíche, no carro que passa, no camelô, na casa do vizinho ou na fila do supermercado. Com isso nossos melhores talentos são jogados no porão do anonimato.

Mas a “fórmula do sucesso” adotada por essa gente nada bronzeada funciona como uma espécie de anabolizante, que, além de ser uma extravagância caríssima para os cofres públicos, demonstra um total desprezo pela platéia, no frigir dos ovos, a grande vítima do “conto da alegria”.

Na verdade, sem praticar a concorrência sadia e equilibrada, tomam de assalto a cidade como batalhões israelenses invadindo a Faixa de Gaza. Passam por cima de tudo, se preocupam apenas em dominar, jamais em ganhar a simpatia da população.

Embora sem saber o que se passa na administração municipal, sinto que, mineiramente, sem estardalhaço, ela descarta essas superestruturas. Dá para imaginar, portanto, o motivo pelo qual a festa foi pouco badalada nos meios de comunicação, se restringindo praticamente aos anúncios institucionais da Prefeitura. Se fosse uma Micaroa... Transmissão integral em camarote boca livre.

Espero que esse processo de mudança para melhor da vida pessoense tenha continuidade. As pessoas devem avaliar mais calmamente este benefício imaterial, digamos assim. Gostaria de levar sempre o netinho Guilherme para as festas de rua da minha cidade. Rezo para que não voltem nunca mais aqueles eventos malucos que mais bestializam do que alegram.

*Petrônio Souto é jornalista

enviada por Guy



01/07/2006 11:32



Hans Donner e o premiado inventor paraibano, Reginaldo Marinho

MOSAICUS

O corpo feminino guarda segredos infinitos. Com as formas arredondadas e belas podemos elaborar outras, surpreendentes e insinuantes. O objetivo é expandir o erotismo, desmistificar e transformar em aliados esses segredos, essas descobertas. Não tenha medo, se entregue a esse jogo, explore e valorize cada detalhe do corpo de uma mulher.
Mosaicus investiga e reproduz essas formas, incita, excita e proclama o corpo da mulher como fonte permanente de fascínio, sonhos e êxtase.
A arte recorre ao erótico para promover um jogo de encantamento e prazer visual em uma homenagem a Mauritus Escher e a Viktor Vassareli, exaltando o corpo feminino. O lúdico e a sensualidade; a informática e a formatação corpórea unidos para o seu deleite, sem culpa.
Inspirado na Cultura Khmer, Mosaicus expõe o erotismo como fenômeno e fio condutor ao retorno do Paraíso. A convergência do sagrado e do erótico. Do mistério e do transcendente. Ao mesmo tempo, apresenta uma releitura atualizada do concretismo.
Mosaicus é isso, um convite para um mergulho profundo no universo feminino. Um mergulho num abismo restaurador. Um universo cheio de magia e leveza, elo fundamental para estimular o auto-conhecimento e a revelação dos signos que habitam o corpo feminino.

Reginaldo Marinho - r.inventor@gmail.com
Blog de R. Marinho: http://mosaicus.blogspot.com


enviada por Guy



01/07/2006 09:04


Eng. Corredor, Pilar-PB. Literalmente, tombando. Foto: ©Guy Joseph

Este espaço é de vocês. Podem enviar colaborações, notícias, divulgar eventos culturais, emitir opiniões, idéias, etc.
Fiquem à vontade, a casa é de vocês!

enviada por Guy






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